Pensamento Lean – Quando os desperdícios se tornam visíveis!

Olá pessoal, gostaria de abordar o pensamento Lean (Lean Thinking) e o desenvolvimento ou aprimoramento de nossos olhos para detectar desperdícios nos processos produtivos.

Nossos olhos, na educação Lean, passam por um processo, é impossível adquirir bagagem e principalmente sensibilidade para localizar desperdícios nas organizações de uma hora pra outra. Vamos educando este sentido, a medida que ganhamos conhecimento e principalmente vivência prática. Portanto, se está iniciando nesta jornada agora, segure a ansiedade e a melhor dica que posso lhe passar é praticar toda teoria que você “digerir”. Se aprender sobre balanceamento de linha, tente fazer na prática. Se ler sobre trabalho padrão, vá fazer no Gemba. Se estudar MSA ou CEP, não perca oportunidade de vivenciar. E assim por diante. São centenas de ferramentas de melhoria contínua, que temos para treinar nossos olhos para identificar e combater os desperdícios. Quanto maior seu conhecimento atrelado a sua experiência, maior será seu poder de tornar os desperdícios visíveis.

A seguir, alguns gatilhos, clássicos na filosofia Lean, para busca incessante de desperdícios, são  conhecidos como 7 desperdícios do Lean:

– Refugo / retrabalho:  todo refugo, retrabalho é um desperdício. Busque na sua fábrica por estes índices e verá o potencial que tem de redução de desperdícios e consequentemente ganhos financeiros. Não deixe de trabalhar com um bom banco de dados de seu refugo ou retrabalho. Tenha claramente o modo de falha, o local que foi gerado, coleta por dia, por turno ou até por hora. Estruture esta boa coleta de dados para que tenha um banco de informações poderoso para que desenvolva projetos. Refugos, além de onerar o bolso da empresa, reduzem a sua capacidade produtiva. Pasmem, as empresas no Brasil trabalham com média de refugo superiores a 10%. Há empresas que conheço que atingem 50%. Como assim??? 50% do que é produzido é lixo? Metade da capacidade produtiva engolida por má qualidade? É isso mesmo… existe, é fato!

– Transporte: isso mesmo, transporte de peças ou do que quer que seja é um desperdício. Movimentar lotes do caminhão para o recebimento, deste para prateleiras de um estoque. Retirar estas matérias primas do estoque para uma operação qualquer, movimentação de peças dentro da sua fábrica, e assim por diante… sim, tudo isso, nos olhos do Lean é identificado como desperdício. Inclusive esteiras, gancheiras, que fazem o transporte de produtos, também são um tipo de desperdício. As vezes as mesmas trazem ganhos ou benefícios, mas as vezes não… é o que um bom profissional lean identificará que em várias empresas se “automatizam” o desperdício. Há situações que de fato uma mudança no layout, evitaria uso de esteiras, etc, reduzindo o transporte assim como custos de manutenção das mesmas, setup, etc.

Na logistica, seja inbound ou outbound, quantos desperdícios de transporte. Quantos equipamentos superdimensionados, em excesso, como empilhadeiras, transpaleteiras, carrinhos, etc, devido a má alocação do estoque, ao layout deficiente, etc. Ponha na ponta do lápis seu custo com empilhadeiras e verá o potencial que pode ter para reduzir a quantidade de equipamentos em uso. Mapeie sua expedição ou depósito por frequência de uso de materiais e verá o espaço que há pra reduzir transporte.

Na visão lean, o transporte deve sempre ser minimizado. Área predial vale dinheiro, muitas empresas alugam espaço para produzir, para estocar, muitas organizações estocam “estoque ruim” (produtos suspeitos, vencidos, sem giro de estoque, etc) e acabam por ter de alugar espaço para alocar produtos bons. Realidade crua e nua em centenas de empresas, do pequeno ao grande porte. E locação de área te asseguro não é algo barato.

Se conseguir colocar matéria prima diretamente em sua primeira operação e trabalhar com uma linha ou célula com pouca movimentação, acondicionando seu produto acabado diretamente no caminhão que seguirá ao cliente… este é o ponto ideal. Sonho? Talvez… Há organizações num modelo muito próximo disso. Melhore gradualmente e o que importa é o progresso que faz sem jamais terminar sua jornada lean.

– Movimentação: está aqui outro desperdício. Mas transporte e movimentação são a mesma coisa? Não. Já vimos o conceito de transporte anteriormente. Movimentação se concentra no homem ao passo que transporte foca mais a peça ou produto. Movimentação foca mais num espaço de magnitude menor. É caminhar em demasia dentro de sua estação de trabalho. É ir no almoxarifado buscar suprimentos para trabalhar. Gente! Lugar do operador é no equipamento, definitivamente não é na fila do almoxarifado ou MRO de sua empresa aguardando ser atendido. Movimentação também é fruto de layout mal definido, sem estudo dos movimentos. Problemas de ergonomia também são alocados no olhar lean como desperdício de movimentação. Além de acabarem com colaborador, sua saúde laboral, também traz menos produtividade, tanto no movimento, quanto na realização de um trabalho que traz desconforto ou mesmo dor.

Iremos parar por aqui. No próximo post daremos continuidade a busca dos desperdícios em sua operação, na tentativa de torná-los mais visíveis a medida que adquiri experiência. Apenas mais uma dica antes. Quando for ao Gemba, na sua manufatura, para busca de oportunidades de melhoria, não deixe de ter empatia pelos operadores, estes caras conhecem muito, sabem diversos desperdícios e ineficiências que muitas vezes a gestão não enxerga. Tenha postura de suporte, postura de ouvir e fazer as perguntas certas. Envolva estes caras tanto na identificação do desperdícios mas principalmente na construção da solução. Se participarem na implementação de uma ideia ou melhoria se tornará muito mais fácil e fazendo este processo com constância, você começa a mudar a cultura, buscando o que falamos de lean thinking, filosofia ou pensamento lean de verdade, pois não estará preso apenas a projetos pontuais, mas a mudanças no dia a dia e na forma de agir das pessoas rumo à perfeição.

Sucesso amigo!

Abraços

Professor Alexandre Ávila

 

 

 

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