Gemba Walkings. O que você como agente de mudanças não pode ignorar…

Gemba é uma palavra em japonês muito comum no mundo inteiro, especialmente empresas que vivenciam a jornada Lean. Gemba significa onde as coisas acontecem, geralmente numa empresa de manufatura é o tão popular chão de fábrica… Se por outro lado sua empresa é administrativa, o Gemba é exatamente onde as coisas são processadas, logo a área ou processo administrativo, foco da melhoria ou solução de problemas.

E o que é Gemba Walking? Nada mais é que a caminhada no Gemba. É uma filosofia, até mesmo cultura que vem dos japoneses de não tratar os problemas ou gaps para melhorias em salas de reuniões, mas sim exatamente onde as coisas acontecem… Este hábito, de andar no processo com frequencia, possibilita a liderança não somente visualizar diretamente os desperdícios e potencial de melhorias como também aproximar-se do pessoal de base. Com postura de ouvir, saber perguntar no momento certo e ter humildade, todos ganham e pouco a pouco as idas no gemba começam a gerar valor.

Porém, caminhar pelo Gemba não é uma atividade tão simples quanto parece. Você como agente de mudanças e principalmente exercendo função de liderança, deve tomar uma série de cuidados para que este trabalho de fato renda bons frutos. Vamos lá!

Usualmente vemos líderes indo ao Gemba nas seguintes situações:

– Somente quando sua empresa tem problemas, como exemplo, reclamações de clientes, devoluções, etc…

– Focado em algum problema previamente de conhecimento, geralmente até algo recorrente.

– Para fazer apontamentos de limpeza e organização (5S).

– Para caça dos clássicos 7 desperdícios… (atividades que agregam ou não valor).

– Apenas para verificar se os trabalhadores estão lá, ocupados e se estão sendo eficientes.

– Verificação de problemas recorrentes e pontos chave que impactam em performance.

Porém, a verdadeira cultura de ida ao Gemba é muito diferente dos tópicos comentados anteriormente… Quando a cultura está presente, primeiro, os líderes possuem um processo formal e disciplinado que vão constantemente ao Gemba e isto sempre envolve o time de alta gestão. Aqui tem um ponto chave! Outro ponto, este time não vai focado em problemas do passado ou recorrentes, não dando muita atenção para isso. A ida ao Gemba traz na verdade uma preocupação muito maior com organização das áreas, problemas das pessoas, identificando então os problemas chaves, que se resolvidos, de fato movem a empresa para outro nível. Repetindo, a ida ao Gemba é feita com pessoas da alta liderança e realizada em contato com a pessoas do Gemba, ouvindo seus problemas e atuando nos mesmos… É assim que os processos podem ter seu fluxo redesenhado, os desperdícios endereçados, trazendo uma mudança de mindset para todos.

Portanto, a ida correta ao Gemba, para desenvolvimento e capacitação do time de liderança, possui os seguintes atributos:

– Estabeleça uma proposta para caminhada. Busque aprender, descobrir, desenvolver uma compreensão do trabalho e ganhar consentimento do time sobre os problemas que de fato impedem as pessoas da operação de vencerem ou obterem sucesso.

– Desenvolva um plano para caminhada no Gemba. Este plano deveria seguir o fluxo da cadeia de valor e nos processos de suporte. Assim você irá eliminar dificuldades entre as “separações” ou “desconecções” entre os processos, sendo assim mais fácil desenvolver suas observações de melhoria.

– Desenvolva o lean dentro de sua cadeia de valor e processos de suporte. Assim você irá buscar fluxo com potencial de aplicar algumas ferramentas como trabalho padronizado, gestão visual, one-piece flow (fluxo de uma peça), FIFO ou sistemas puxados.

– Pare de buscar apenas “desperdícios” (muda) ou trabalhos que não agregam valor. Se ficar observando com detalhes você irá achar centenas de problemas, desperdícios, etc. Ao invez disso, foque em achar “sobrecargas” (muri) e “variações / instabilidades” (mura), e verifique que a linha de frente já está lidando com a redução de muda e observando o fluxo de valor.

– Para de focar apenas na observação se as pessoas estão bem utilizadas ou sendo o mais eficiente possível. Se tiver esta postura, no final das contas você estará escondendo muitas de suas maiores oportunidades e pontos de melhorias… por que? Simplesmente pois as pessoas não se abrirão com você…

A prática da caminhada no Gemba é um aprendizado que requer exercício, capacidade de ouvir, humildade. Para melhorar as habilidades da liderança nesta prática, há de se ter frequencia e se bem direcionado, como proposto anteriormente, pouco a pouco o resultado começa a aparecer. A liderança mais próxima da operação e vice versa trará atividades de melhoria que certamente moverá a empresa para um outro patamar.

Pratique! Vale a pena!

Alexandre Ávila

 

Texto adaptado de: “What Too Many Lean Leaders Forget about Gemba Walks” de Darren Walsh

em Abril, 2017. Acesso em https://www.lean.org/LeanPost/Posting.cfm?LeanPostId=713