Poka Yoke – A arma para o zero defeito

Olá caros alunos! Hoje trago um tema muito explorado dentro da filosofia Lean ou mesmo do Six Sigma. Uma ferramenta que pelo próprio nome acredito que já deduza a sua origem.

Pois é… Poka Yoke é uma palavra japoneza e também uma ferramenta que não é nada novo. Seu uso já é bem antigo mas poucas empresas despertaram para sua aplicação. A eficiência desta ferramenta é tão grande que a nova IATF 16949, versão 2016, que rege padronização para Sistema de Gestão da Qualidade para o segmento automotivo, traz um item totalmente novo, que é a aplicação de sistemas poka yoke, se tornando então um item mandatório para atendimento desta norma.

Mas o que é esta ferramenta? Poka Yoke significa dispositivo a prova de falhas, ou no inglês mistake proofing. Ainda temos uma tradução comum que é o famoso mata burro. Ou seja, são mecanismos usados tanto em parâmetros de produto quanto em processo usados para eliminar falhas ou detectá-las, tornando assim o produto ou processo robusto suficiente para evitar incidência destas falhas.

Sua aplicação geralmente é aplicada nos seguintes casos:

– Situações em que a falha do produto pode ocasionar acidentes ou lesões;

– Reincidências de reclamações de clientes;

– Falhas em campo, nos clientes, que geram altos custos ou potencial de recall;

– Falhas em que o grau de severidade do FMEA é alto ou ainda maiores RPNs (Risk Priority Number) do FMEA;

– Controle de parâmetros de produto ou de processo que sejam identificados como itens críticos, especiais ou de segurança;

– Pontos do processo, seja no produto ou parâmetros de processo, que históricamente se tem alta incidência de refugo ou retrabalho;

Estas são apenas algumas situações que geralmente demandam uso de poka yoke para empresas que já lidam ou sabem o que é esta ferramenta, mas não se limita apenas a isto.

Para aqueles que ainda não sabem o que é o poka yoke, vou colocar a seguir 2 tipos básicos, para facilitar aprendizado:

– Preventivos: são aqueles que previnem a falha, não deixam a mesma acontecer, são os verdadeiros mata burros.

Exemplos: Você não consegue abrir o micro-ondas e o mesmo continuar em funcionamento. Isto é um poka yoke. Quando você desliga seu carro com faróis acessos e tira a chave os mesmos se apagam. Poka Yoke! Os caixas eletrônicos fazem com que você retire seu cartão antes de você fazer qualquer operação, para evitar esquecimento do cartão… Poderia dar muitos exemplos práticos, presentes no seu dia a dia, mas note que tudo isso foi pensado, teve um design por trás, pois certamente já houve situações de acidentes ou custos onerosos, levando a desenvolver mecanismos que previnem a falha ou erro humano.

– Detectivos: são aqueles que possibilitam a ocorrência da falha, mas detectam a mesma, não deixando o produto defeituoso seguir a frente no processo produtivo.

Exemplos: Em estações de montagem, você pode montar uma peça na posição errada e um sensor irá detectar logo em seguida, geralmente acionando alguma automação que já irá separar esta peça do fluxo normal. Da mesma forma, há montagens de peça similares, que possuem marcação com cores diferentes, justamente para sinalizar que certa cor é de certo modelo ou item ou mesmo de alguma posição específica. De forma similar o equipamento ou sensor ou até mesmo de forma mecânica, pode detectar a falha não deixando o produto seguir para próxima operação. Poka Yoke! Para evitar embalagens vazias numa linha de envase de baixo peso ou volume, que se coloca o produto dentro da embalagem, pode-se colocar dutos de ar na esteira, sendo que embalagens vazias irão voar… Note, que todas estas situações permitiram a falha, não são preventivos como caso anterior, mas houve detecção.

Se você fizer uma busca do tema em qualquer site de busca, na categoria de imagens, verá inúmeros exemplos sobre poka yoke. Vale a pena.

A teoria sugere sempre a tentativa de poka yokes preventivos e caso não se consiga, que passe para uso dos sistema detectivos. Este é o caminho…

Observe que falamos do uso de sensores como poka yokes, sejam do tipo de presença, de cores, de contato, enfim, qualquer tipo de sensor. Estes são largamente usados em empresas que performam muita montagem e o erro humano é possível. Porém, sempre prefira uso de poka yokes mecânicos do que na forma de sensores. Por que? Simplesmente pois dispositivos mecânicos não requer manutenção, são robustos. Já sensores, são elétricos ou eletrônicos,  podem falhar, podem avariar, podem desgastar com o tempo, ou seja, se não for dado devida manutenção, podem falhar…

Porém há situações que não há o que fazer e é necessário uso de sensores. Se assim for, sugiro que coloque uma rotina de teste do poka yoke. Aliás, recomendo isso pra qualquer prática de poka yoke. Muito fácil. Determine uma frequencia, pode ser por hora, por turno, por dia, por semana, depende de seu produto ou processo, de sua realidade. Com frequencia determinada, simule a falha, faça a falha acontecer propositalmente, para ver se o acionamento devido será realizado. É uma dica de ouro!

Compreendido o funcionamento, que tal ir a prática? Muitos fazem kaizen de poka yokes. Reunem um time, definem pontos de maior vulnerabilidade no produto ou processo, ou mesmo informações de clientes e partem para uso da criatividade no design e construção dos poka yokes. Fantástico! Por que não você atuar como líder deste Kaizen?

E para finalizar, gostaria de deixar outra dica de ouro, muito nobre de fato, para aqueles que querem se tornar mestres do Poka Yoke. Recomendo leitura do clássico, pedra fundamental neste assunto, o livro de Shigeo Shingo, Zero Quality Control: Source Inspection and the Poka-Yoke System.

Traz idéias inspiradoras e conhecimento profundo no assunto. Já antecipo, é caro! Mas vale a pena!

Sucesso na jornada amigo!

Abraços

Professor Alexandre Ávila