Pensamento Lean – Quando os desperdícios se tornam visíveis! Parte 2

Olá pessoal! No último post falamos da filosofia Lean em busca dos desperdícios em seus processos, os clássicos 7 desperdícios do Lean. Falamos de refugo / retrabalho, transporte e movimentação. O grande objetivo é buscar fluxos mais lean, sem interrupções, processos mais estáveis e equilibrados.

Dando continuidade, seguem outros clássicos desperdícios que podemos buscar nas operações, fazendo um Gemba walking:

– Estoque:  estoques são os grandes vilôes na maioria das empresas. Todo estoque, seja qual for seu formato, é dinheiro parado, que poderia estar rendendo em qualquer investimento nos bancos. Os estoques podem estar no formato de MP (matérias primas), em processo (WIP = Work In Process) ou Produto Acabado (PA), mas também podem estar fora do processo produtivo, como MRO (ou almoxarifados, contendo insumos, ferramentas, spare parts de manutenção), etc. Enfim, todo estoque é tido como desperdício aos olhos do lean. Por trás de estoques vemos ineficiências enormes, potenciais para trabalhar. Muitas vezes temos estoques em demasia, seja qual for o tipo, para cobrir fragilidades de equipamentos, inseguranças com fornecedores ou fretes, instabilidades do ambiente de produção ou mesmo falhas de previsão de demanda ou planejamento de materiais ou produção… Veja o oceano de oportunidades que pode se transformar em trabalhos lean. Talvez as perguntas a seguir te ajudem a identificar estes desperdícios: Como anda acurácia de forecast de vendas em sua empresa? Previsão vendas? Quão eficiente é seu planejamento de materiais? E seu PCP (Planejamento de Produção)? Como andam seus tempos de setup? Quão distante está sua operação gargalo das demais operações? Quão balanceado está suas operações ou processos industriais? É possível implementar kanban entre seus processos? Entre seu recebimento e seus fornecedores? Entre sua expedição e clientes? É possível implementar consignação? Percebam que estas questões gerariam projetos para anos, todos com foco cuja consequencia ou benefício será refletido imediatamente nos estoques. E geralmente projetos que envolvem estoques trazem ganhos milionários… se nunca perguntou quanto vale, em grana, o estoque onde trabalha, faça e verá…

 – Espera: desperdício geralmente atribuído aos estoques, conforme falado acima ou ainda à espera do operador pela prontidão do equipamento. É aquele tempo morto que a pessoa aguarda para continuar uma operação. Operador parado em frente à máquina é desperdício. Ainda, operador parado em filas de MRO´s (almoxarifados) também é um grande desperdício. E esta cena é bastante comum em diversas empresas… Por que não usar conceito de montadoras? As peças ou insumos vão até a linha e não ao contrário… Quanto mais processos balanceados ou equilibrados tivermos menos será a espera e mais eficiência teremos.

– Superprocessamento: Superprocessamento? Super dimensionamento? Over Engineering? Gordura? Coeficientes abusivos de segurança? É isso mesmo… todas estas interrogações definem o desperdício oculto nas empresas que o lean chama de superprocessamento. Aqui vemos uma imensidão de potencial de projetos. Quantos materiais nobres são usados e poderiam ser substituídos, sem danos à qualidade, por materiais de menor custo? Quanto tempo de operação, ou ciclos, ou passagens, são usados em equipamentos, nunca antes questionados o verdadeiro por que desta quantidade de ciclos, e que se estudado, poderíamos reduzir este tempo, quantidade de ciclos, passagens, etc? Quantas coisas nunca estudadas na empresa? Quanto potencial de melhoria… é realmente outro oceano de oportunidades se buscarmos desperdícios de superprocessamento nas empresas… Este geralmente é bem oculto, mas nada que olhares críticos não desvendem e venham tornar os processos mais enxutos.

– Superprodução: finalmente, o desperdício de superprodução. O grande vilão! Por que? Pois ele fomenta a geração de todos os outros desperdícios já discutidos aqui. Superprodução é fazer mais produtos do que a demanda, do que o pedido pelo cliente. Sistemas de produção empurrados (Push System), os tradicionais ERPs, certamente irão gerar superprodução… pois o sistema está sempre tentando adivinhar a demanda, que muda constantemente, e ao recalcular necessidades de materiais e planejar a produção, é inevitável se formar estoques. Sistemas Push sofrem bastante também perante flexibilidade. Já sistema puxados, Pull Production, a filosofia Lean, trabalha com pedido do cliente para produção. Só se produz sob demanda, com pedido em mãos. Este sistema trabalha com níveis de inventário geralmente muito baixos. E geralmente responde muito bem a alterações de demanda, oferece alta flexibilidade. Porém, buscar sistemas Pull é um desafio, e gerará projetos e projetos de melhoria. Costumo dizer que é uma jornada sem fim.

Com o pouco dos 7 desperdícios que tratamos aqui e a abordagem feita, acredito que tenha aberto uma porta para que você levante diversos projetos de melhoria ou redução de custos em sua organização. Desejo que levante tantos projetos que tenha que se preocupar com priorização, por não ter recursos para atuar neste projetos todos de uma única vez…

Novamente, vá sempre ao Gemba, e pergunte por ques, aprenda a ouvir, tenha as pessoas do seu lado e verá que irá longe. Tornar esta postura de caminhada no gemba em busca dos desperdícios como um hábito frequente é uma atitude revigorante, que pouco a pouco transforma a cultura da organização, “contaminando” as pessoas, em todos os níveis a buscar processos mais eficazes, fluxos com menos interrupções e operações mais estáveis.

Sucesso na jornada amigo!

Abraços

Professor Alexandre Ávila